21 de abr de 2010

Televisão no meio pentecostal: De uma ameaça a um objeto de consumo. O caso das Assembléias de Deus.

Primeira parte de uma monografia apresentada ao Programa de Pós graduaçao em Ciência da Religião da Universidade Metodista de São Paulo na disciplina de "Religião e Mídia" segundo semestre de 2009.

Introdução
A que segmento pertencem os Pentecostais clássicos?
Desde os tempos da colonização portuguesa no Brasil que se pode ver tentativas de inserções de agrupamentos cuja confissão religiosa era o protestantismo. Isso comprovou-s com a presença dos huguenotes franceses, ao fundar uma colônia no Rio de Janeiro no século XVI. Os holandeses ao ocuparem Pernambuco entre os anos de 1630 e 1654 também contribuiriam para registros da presença protestante no território. Contudo essas seriam as únicas manifestações do protestantismo até o século XIX. Desde 1824 o Império viu surgir as primeiras igrejas luteranas, resultado da imigração alemã. A partir da segunda metade do século XIX igrejas congregacionais e presbiterianas, são estabelecidas por missionários americanos. Após eles viriam os metodistas, batistas e episcopais.

O século XX seria o período da chegada e difusão rápida da vertente mais nova do protestantismo, o pentecostalismo. O pentecostalismo cresceria no contexto do movimento Holiness, um movimento surgido entre os metodismo americanos do século XIX. Dos Estados Unidos, o pentecostalismo se espalharia através de pregadores itinerantes. O pentecostalismo clássico, como qualquer vertente do cristianismo, sofreria cisões e evoluções, logo se estabeleceria o surgimento nas últimas décadas do século XX de um pentecostalismo mais autônomo, esse pentecostalismo teria sua pregação enfatizada na cura, exorcismo e prosperidade.

Belém do Para seria a primeira cidade brasileira a verificar a atuação dos missionários pentecostais quando em 1910 os imigrantes suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren iniciaram cultos numa igreja batista. A cisma seria questão de tempo e o resultado seria a igreja Assembléia de Deus. Por décadas a AD seria a principal denominação pentecostal brasileira. Nos anos 60 cruzadas evangelísticas seriam efetuadas o que provocariam o surgimento de mais vertentes no meio pentecostal como “Igreja do Evangelho Quadrangular”, “O Brasil para Cristo”, e “Deus é amor”

Nos anos 70, mais uma corrente do pentecostalismo surgiria no solo brasileiro, sob a iniciativa do Bispo Robert McAlister, a Igreja da Nova Vida seria fundada. Até o final dessa década mais denominações surgiriam tendo como referencia a teologia do Bispo MacAlister, uma dessas igreja seria a Universal do Reino de Deus. O que diferenciaria essa igreja das demais entre tantas coisas era a utilização agressiva dos meios de comunicação principalmente a televisão.

Até os anos 70 a televisão era vista com indiferença, desconfiança pelo protestantismo brasileiro. O pentecostalismo manifestava verdadeira repúdio pela TV, as pregações e ensinos nessas igrejas em especial na Assembléia de Deus era claramente de reprovação aos fiéis que tinham televisores em casa. O fator preponderante para que a TV fosse vista como inimiga pelo pentecostalismo clássico era o forte apelo puritanista e uma pregação que não diferenciava a doutrina historicamente aceita pela tradição da igreja com usos e costumes. Esses usos e costumes foram os elementos que marcariam decisivamente o pentecostalismo clássico[1].

Por muito tempo o estereótipos de evangélico era associado a restrições de roupas, musicas e lazer. De uma forma geral os fieis dessas igrejas assumiriam um estilo de vida cheio de restrições, cuja desconfiança em relação a sociedade era visto como uma preservação da fé. A “sã doutrina” freqüentemente era evocada tendo em vista as inovações de pensamento próprios da modernidade. Os membros de igrejas pentecostais clássicas, e das históricas, eram “doutrinados” a desconfiar ou mesmo a recusar com veemência qualquer reflexão que contesta-se o estilo de vida vigente e ensinado nos púlpitos[2].
[1] MARIANO. Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. Loiola. P. 190
[2] CUNHA. Magali do Nascimento. A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico. P. 42.

continua ...

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