11 de out. de 2010

FAÇA COMO A MARINA, LEIA A BÍBLIA!




Ler a Bíblia faz bem e não tem contra-indicação.

se persistirem os sintomas, ore e volte a ler a Bíblia ainda mais!!!

9 de out. de 2010

DEUS VOTA?


Responda rápido.

O que é pior?

Pastor que fala de política, ou Politico que fala de religião?


Só uma perguntinha. Quem o TIRIRICA vai apoias no segundo turno? e mais, o TIRIRICA é contra ou a favor do aborto? E do casamento gay, o que ele pensa? Acho que essas sao algumas questões interessantes de serem perguntadas a mais nova "liderança politica brasileira"

6 de out. de 2010

Quem é a mãe da mentira?


O Diabo é pai da mentira, mas quem será a mãe? Bem. Segundo Ciro Gomes ex-deputado do PSB pelo Ceará, a Veja é a mãe da mentira


Uma das questões que se tocou aqui é sobre quanto os boatos espalhados na reta final tiraram votos de Dilma. Esses boatos, ao serem disseminados por parte da imprensa, foram importantes nisso?

Perifericamente. Boato só prospera onde há perplexidades, vácuos, vazios. Como essa questão do aborto. É complexa, é delicada. Interagem com esse assunto questões religiosas, questões morais, éticas, sanitárias, emocionais, psicológicas. Questões terríveis.

E os políticos, por regra, detêm um oportunismo muito rasteiro a respeito deste assunto. Acho que esse é o vácuo. Quando você tem um vácuo e não tem clareza, o boato acaba prosperando mais do que devia.

E, claro, há o papel de uma parte da imprensa brasileira. E isso não é novidade, não temos que nos assustar com isso. Quem se enganou foi quem imaginou que haveria essa cordialidade que eu sempre soube que não haveria. Uma parte da imprensa brasileira tem preferência, o que é legítimo.

Apenas deveríamos ajudar o eleitor brasileiro a saber que a Veja é reacionária. É direito do povo brasileiro saber que a Veja é reacionária. A Veja deve existir, deve fazer o que bem entender. Se passar da conta, temos um sistema democrático que garante reparos no Judiciário, mas nada de ir contra a imprensa. A imprensa é sagrada para nós, democratas.

A Veja passou da conta no primeiro turno?

A Veja? A Veja passa da conta. Vive a serviço do que há de mais espúrio na sociedade brasileira. É isso que a gente deve explicar para as pessoas. Que a Veja tenha longa vida, mas que todos fiquem sabendo que a Veja não é uma observadora neutra da vida brasileira: ela está a serviço dos interesses internacionais, da privataria, da escória brasileira. Isso sempre foi. Desde que a turma de melhor nível saiu, virou isso (referindo-se a jornalistas mais antigos). Um instrumento de achaque.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/ciro-gomes-sou-cabo-eleitoral-de-dilma-no-ceara

5 de out. de 2010

Quem votou na Marina?


O site da Carta Capital se arrisca em definir o perfil do eleitorado da Marina, Caso você tenha votado na candidata do PV, leia e veja se não se identifica com a descrição?

“… É uma camada principalmente urbana, que progrediu em relação aos pais pobres e mal educados, tem certa educação, até superior, está decentemente empregada e precisa cada vez menos de programas sociais como o Bolsa-Família, do SUS ou de novos projetos de saúde e saneamento. Ao mesmo tempo, é mestiça, não está à vontade com a “alta cultura”, tem gostos populares e se sabe desprezada pela elite tradicional. Não se identifica totalmente com as prioridades da esquerda – redução da desigualdade e crescimento econômico – mas também não com as da direita – conservação de privilégios disfarçados em competência e meritocracia. Busca um meio-termo que, assim como Marina, não sabe definir com precisão e chama de “mudança”.

É uma camada que se identifica mais com a história pessoal de Marina, uma ex-empregada doméstica alfabetizada pelo Mobral que “subiu na vida”, fez curso superior e uma carreira política pacífica e respeitada, do que com a carreira de um integrante convencional da elite política como Serra ou com o passado combativo de uma ex-guerrilheira como Dilma. Que tem um vago receio do “comunismo” e do MST e se esforça por se diferenciar das “massas” pobres e turbulentas e hesita em dar um cheque em branco a Dilma e ao PT. Não é a parcela da opinião pública mais conservadora, nem a que tem seu voto definido pelo padre, pelo pastor ou pela questão do aborto. Estes provavelmente votaram em Serra.

Esta interpretação se reforça quando se desce ao detalhe dos votos por município. Recife, capital do estado natal de Lula, não tem uma proporção excepcional de evangélicos pelos padrões brasileiros: apenas 17,6%. Mas 37% dos recifenses votaram em Marina (42% em Dilma, 19% em Serra). Já o município pernambucano de Abreu e Lima, o mais evangélico do estado (31,2%) teve 27% de votos em Marina, 52% em Dilma e 15% em Serra.

No Rio de Janeiro, Marina teve 29% em um município de alta concentração de evangélicos (30%) como Belford Roxo, 32% na capital (17,7% evangélica) e 37% em Niterói (15,3% evangélica), enquanto Dilma teve 57%, 43% e 35%, respectivamente, nesses municípios (e Serra 12%, 22% e 25%)…”

Fonte:
http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/voto-em-marina-nao-e-ecologico-mas-tambem-nao-evangelico

4 de out. de 2010

RAMADÃ EVANGÉLICO II

O Ramadã Evangélico foi prolongado por mais um mês.

Que Deus nos dê graça para suportar!!!

30 de set. de 2010

Diga-me com quem NÃO ANDAS...

Diga-me com quem não andas, que eu te direi quem não és.

A candidata Marina silva do PV, não recebeu apoio:
· do Presidente Lula, que por muito tempo foi seu companheiro de partido no PT.
· do teleevangelista e “conferencista internacional” Silas Malafaia, embora pertencendo a mesma denominação
· dos “Barões da fé” das Grandes denominações do Pentecostalismo Clássico.

Bem..
Eu já sei quem ela não é
Diante de tudo isso parece que Marina é uma pessoa confiável!!!

29 de set. de 2010

RAMADÃ EVANGÉLICO


Os missionários ocidentais que tem evangelizado muçulmanos testemunham que a época mais difícil para o trabalho é período que coincide com o Ramadã. Nesse período a fé islâmica, que está latente fica mais sensível. Isso é tão verdade que nesse momento até mesmo cristãos ex-muçulmanos tendem a reconsiderar a sua escolha por Cristo a tal ponto da abandonarem a fé. Alguns depois do Ramadã voltam a comunhão com a igreja, mas no mês do Ramadã eles tem suas convicções abaladas e fazem concessões a religiosidade que haviam abandonado a tempos. É como se nesse período toda uma natureza e aspirações escondidas viessem a tona, mostrando de fato o que dentro das pessoas existe.

Pois bem, o escritor desse Blog tem a mesma impressão com os evangélicos em época de eleição. É sabido que as relações nas igrejas as vezes tendem a autoritarismo e a manipulação, contudo devido ao esforço das novas lideranças, muitos avanços no tocante ao “arejamento” das concepções sobre liderança e relações institucionais tem mudado. Nos últimos 10 anos os discursos no interior dos templos tem sinalizado parra relações menos autoritárias, com maior feed-back entre lideres e liderados e entre pastores e ovelhas. A norma na ultima década tem sido a da horizontalidade ao invés do “de cima para baixo”, bem no estilo proposto pela reportagem dos Novos Evangélicos da revista ÉPOCA http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI161475-15228,00-A+NOVA+REFORMA+PROTESTANTE.html

Contudo no arraial de Jeová parece haver um Ramadã, ele não é anual, é bienal, sempre entre os meses de setembro e outubro, e pode variar de duração. Do que se trata? Das eleições. Parece que nessa época do ano os evangélicos colocam para fora toda a dificuldade que tem em discutir com quem pensa diferente, ou melhor não precisa nem pensar diferente basta, não ter a mesma convicção inabalável sobre um fato. O período de eleição no Brasil é um período difícil para quem freqüenta cultos em igrejas evangélicas, isso por que os templos se tornam espaços para uma cruzada em favor de valores apresentados como cristãos.

Nesse período do ano o ambiente fica pesado, há um clima de terror no ar, um clima de patrulhamento, as pessoas necessariamente assumem uma das duas posturas, a de vigilantes ou de vigiados. Os discursos são conclamações contra a perseguição que esta na iminência de acontecer. O cheiro de pólvora substitui o perfume de Cristo no espaço que deveria ser destinado a adoração. E nesse momento a prudência nos informa que não devemos contestar as opiniões e posições.

Nesse período que pode ser chamado de “Ramadã evangélico” todo discurso de renovação, de aceitação do diferente, de tolerância enfim de maturidade é substituído pelo velho discurso autoritário da igreja de antigamente. É como se nesse período o verniz da alteridade derretesse e desse lugar para as pulsões autocráticas que a muito as lideranças cristãs tentam abandonar ou esconder.

Assim sendo leitor, concluímos que a Igreja está mudando, como muçulmano convertido, ela assume uma nova posição na existencialidade espiritual, nessa posição a igreja exerce auto-critica, e se permite avaliar a luz das Escrituras e do bom senso, contudo quando o Ramadã evangélico começa, a saber, as eleições no Brasil, que acontecem a cada dois anos, então toda a postura reacionária, de intransigência, as vezes de manipulação vem a tona, e com toda a força.

Quem conhece igreja sabe que depois isso passa, que mais para frente a proposta mais piedosa de fé retornará tão logo o pleito se encerre. Contudo durante o ramadã evangélico, a eleição, o ambiente nos templos ficará pesado, todo cuidado será pouco nesse período, esse não é o momento de levantar qualquer tipo de "reflexão ontológica", caso você queira continuar com seus amigos evangélicos e não ter o seu nome vinculado a qualquer lista de pessoas que ameaçam a ordem e decência.

É nesse período que devemos exercer aquele imperativo tão conhecido pelos cristãos, o chamado, “oremos”.

28 de ago. de 2010

Coração ou estômado? De quem é a direção da vida?

“… E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina…”
Marcos 7.20


Em 1997 o publico em geral pode tomar consciência de um transtorno muito comum na população das grandes cidades, o transtorno Obssessivo compulsivo. De maneira engraçada o ator Jack Nicholson protagonizou o filme “melhor impossível”. No filme ele é o romancista J. T. Walsh, um portador desse transtorno. De maneira engraçada as pessoas podem ver como sofre, e faz sofrer as pessoas que são acometidas deste transtorno. É possível verificar que o incoveniente não está apenas no fato de se perder muito tempo lavando as mãos, ou trocando talheres, o transtorno é responsável por afastar de perto todo e qualquer pessoa que queira ser simpática. Isso porque o portador de Toc, julga o mundo impuro de tal forma que pode ameaçar e “profanar” a sua vida. A palavra de ordem é isolamento.

Uma leitura mais “cirúrgica” dos evangelhos nos revela traços deste tipo de conduta em publico bem conhecido de Jesus, os fariseus. No evangelho de Marcos, Jesus é censurado pela seita dos fariseus por não ensinar os seus discípulos a lavar as suas mãos, enquanto eles, não lavavam apenas as mãos, mas tomavam banhos tão logo chegassem dos mercados francamente freqüentado por gentios.

A resposta de Jesus é emblemática, ele não só contesta a autoridade da fonte na qual os fariseus haviam extraído essa informação, a tradição, e não a lei mosaica tida como inspirada, como re-significou o conceito de pureza e profanação. Mas não foi apenas isso, Jesus contestou alguns elementos relativos a integridade. Um deles é o fluxo da influencias. Para os fariseus portadores do Toc religioso as influencias profanadoras do mundo deveriam ser como a contaminação dos alimentos, ou seja, vem de fora para dentro. Se extrapolarmos o pensamento da seita inimiga de Jesus para a formação do comportamento do individuo, nos seremos levados a pensar que isso se dá por conta da influencia do meio, das imposições do grupo. É aquela velha desculpa, somos o que a nossa família, e tribo nos conduzem a ser! Afinal o que contamina o homem vem de fora! Esse é o ensino do fariseu.

E verdade que o meio é poderoso, contudo Jesus nos adverte que o que contamina o homem não é o que vem de fora, mas o que já esta dentro. Para Cristo a natureza humana já é predisposta para posturas egoístas e misantropas. O fluxo das pulsões é de dentro para fora e não de fora para dentro. A profanação e contaminação é um processo se faz na medida em que as pessoas abrem as suas bocas e expõem o que de fato tem.

Outra concepção que consiste em um conflito entre Cristo e os fariseus consistem no que é centro das pulsões do ser humano. Para os fariseus é o estômago, que deve ser preservado de todas as purezas, é o seu aparelho digestivo. Para o fariseu portador de Toc, o centro da vida esta ventre, é o ventre que governa, são as aspirações mais básicas da vida, os interesses estão lá na base da pirâmide de Maslow, e lá ficam. Mas Cristo propõe um outro centro dos impulsos, o coração, não o músculo por onde é passa o fluxo vital. O que Cristo nos revela é que conceitos mais valorados para as pessoas não podem ser encontrados no consciente, mas lá na profundeza das nossas motivações. O “estomago bem como o fígado e os intestinos” podem ser domesticados, isso na medida em que as pessoas aprendem a lidar e a conter as suas “mal-criações” enfim as pessoas se contem.

Já o coração não é domesticado, uma vez que ele se esconde e esconde dentro dele toda a sorte de aspirações. Ao contrario do que J. T Walsh de “Melhor impossível” os discípulos de Cristo deveriam lavar muito, e de “sadiamente compulsiva” os seus corações, as suas motivações, as seus mais instintivos e íntimos desejos. Isso por que o que contamina o homem, não é o que entra, mas sim o que dele sai, por que provem do coração.

5 de jun. de 2010

Falando de Deus

Esse texto é profundamente conveniente a quem fala e discute religião bem como quem discursa sobre Deus. Leia com espírito reflexivo:

Não se preocupe com Deus. Ele cuida de Si mesmo. Ele se defende. Ele é maior de idade.
Não se angustie por Deus. Ele não se transtorna e nem se abala.
Não defenda Deus. Se Ele não defender a Si mesmo, por que haverá você de fazê-lo? Você tem melhores argumentos?
Não se aflija em fazer Deus compreensível. Isto não é possível. Ele revela a Si mesmo ou nada é discernido.
Fale de Deus como Ele fala de Si mesmo.
Fale de Jesus como Jesus falou de Si mesmo.
Fale do Evangelho como ele fala em si mesmo.
Nunca discurse Deus. É obra de artífice de ídolos de linguagem.
Nunca filosofe Deus. É a louca-loucura dos sábios, que é a maior insensatez para Deus.
Nunca doutrine sobre Deus. É melhor oferecer bula de remédio a um doente analfabeto.
Confie sempre na verdade. Ela é invencível.
Confie sempre no amor. Ele é de Deus; pois Deus é amor.
Confie sempre que a paz é a melhor arma e a melhor defesa.
Creia simples e tudo será maravilhoso.
Creia complexo e você jamais terá alegria.
Creia, apenas creia, e tudo passará a ser possível.
Mas, sobretudo, seja sincero com Deus e com você mesmo, pois, sem isso, nada acima é verdade.
Nele,
Caio
29/08/07
Manaus
AM

21 de abr. de 2010

Televisão no meio pentecostal: De uma ameaça a um objeto de consumo. O caso das Assembléias de Deus. (PARTE 2)

Segunda parte de uma monografia apresentada ao Programa de Pós graduaçao em Ciência da Religião da Universidade Metodista de São Paulo na disciplina de "Religião e Mídia" segundo semestre de 2009.


Pentecostalismo Clássico nos anos 60 e 70: a relação com a mídia em especial com a televisão

A década de 50 viu o florescimento da mídia televisiva nos EUA. De imediato os evangelistas de viés fundamentalistas passaram a fazer uso desse tipo de veiculo de comunicação. Rapidamente os pregadores que antes eram itinerantes e que alcançavam a sociedade de maneira periférica puderam em pouco tempo ocupar a grade das emissoras de televisão, dessa forma já nos anos 50, pastores como Billy Graham, Rex Humbard, e Oral Roberts tornavam-se conhecidos em varias regiões dos EUA

O império de comunicação dos pregadores fundamentalistas já estava consolidado na mídia. Esse fato seria decisivo para a instauração e manutenção de uma consciência puritana, protestante, e conservadora na América do Norte. A televisão seria vista desde então como uma aliada na tarefa de afirmação da missão de preservação dos valores dos pais fundadores da nação norte-americana.

Enquanto isso no Brasil o protestantismo, que era uma minoria, procurava defender-se do liberalismo teológico que era visto como ameaçador. Já o pentecostalismo pós segunda guerra vivia um situação ambígua, o seu crescimento começava a ser sentido na mesma medida em que sentia-se ameaçado pelas cisões que décadas depois seriam comuns, outro problema era também a crítica que sofriam por parte das igrejas históricas[1].

Uma vertente do pentecostalismo, a Assembléia de Deus, se fundamentou e expandiu-se a partir do norte-nordeste. Essa particularidade seria determinante para a definição da visão de mundo e de vida da liderança da AD[2]. O conservadorismo seria, portanto uma marca registrada da vida e discurso assembleiano desde então. A afirmação de costumes tidos como respeitáveis nessas regiões associado com uma falta de cultura teológica que permitisse uma hermenêutica das escrituras foram decisivas para a formulação do código de ética não somente na AD, mas em todo pentecostalismo clássico[3].

Desta forma se nos EUA o movimento evangélico tinha uma relação estreita com a mídia, isso porque o evangelicalismo era um elemento fundamental na vida da nação, no Brasil os evangélicos se utilizavam de maneira discreta da mídia, concentrados nas emissoras de rádio. Se nos EUA a televisão era neutra, um espaço a ser conquistado, no Brasil essa parecia uma propagadora de valores e costumes francamente contrários aos ensinados pelos evangélicos, em especial os pentecostais.

A programação da televisão parecia agressiva aos olhos de um pentecostal clássico nos anos 70. Isso porque enquanto nas igrejas as mulheres eram exortadas a “não andarem segundo o curso deste mundo”, entenda-se com isso que elas deveriam ter uma forma de vestir austero, a televisão estimulava a moda e o consumo. Se considerarmos que nas igrejas pentecostais de usos e costumes o ato de ataviar das mulheres bem como o de uso de cosméticos era francamente proibido, e passível de disciplina eclesiástica, ou mesmo exclusões, se considerarmos essa realidade nessas igrejas, então o ato de assistir as novelas tão populares nos anos 70 tornava-se uma ameaça e uma geradora de conflitos nas famílias de igrejas conservadoras.

A revolução de costumes iniciada nos anos 60 entrava nos anos 70 e era amplamente coberta pela televisão, a moda e a linguagem difundida nas grandes metrópoles do primeiro mundo de imediato era absorvida em países do terceiro mundo, idéias vanguardistas e libertadoras, principalmente no que tange sexualidade passaram a ser conhecida e debatida nas sociedades mais conservadoras. Tabus um a um começam a cair, e mesmo sob censura de alguns governos algumas idéias progressistas alcançam as massas, sempre com o auxilio da criatividade daqueles que compreendiam a urgência de mudanças de costumes nas sociedades em que estavam inseridos. Assim sendo a televisão como o cinema, era francamente uma ameaça a igrejas cuja missão consistia em manter intactos valores até então inquestionáveis como família e tradição. Isso era reforçado pelo hábito de se buscar no texto sagrado a autoridade para legitimar o discurso[4].

A televisão era a pauta das mensagens vindas dos púlpitos, as criticas e sentenças não eram nada sutis, eram diretas. A televisão nesse momento não era mais um objeto a ser desejado pelos consumidores, ou artigo importante dentro de um lar a televisão era do ponto de vista do pentecostalismo conservador e clássico uma antítese da mensagem evangélica. Um elemento que colabora para essa postura é a posição quase pontificial dos pastores junto as suas igrejas, isso por que a fala de um pastor pentecostal é quase lei.
“...A palavra dos dirigentes se impõe aos seus fieis, vale como lei e deve ser cumprida. A base para tal postura, alem dos dons, é também a interpretação literal da Bíblia (sem levar em conta o contexto em que foi escrita). O poder nas Igrejas pentecostais é exercido de forma radical e verticalizada, o que difere em parte das Igrejas protestantes históricas...”[5]

Não é apenas na concepção da origem e natureza do poder que o pentecostalismo clássico dos anos 60 e 70 diferenciava-se da cultura secular, as concepções em relação ao papel da mulher e a importância dessa também eram claramente conflitantes com o que a cultura “mundana” propagava, e que estava claramente estampada nas telas dos aparelhos de televisão[6].
“... As interpretações de passagens bíblicas favorecem a hegemonia masculina sobre o sexo feminino, seja no interior ou na direção das Igrejas pentecostais. As cartas paulinas, de forma especial as destinadas aos coríntios, dão a base para uma forma especial as destinadas aos coríntios, dão a base para uma suposta superioridade do homem. É claro que estas passagens têm sido relidas e revisadas por teólogos e teólogas preocupados com o engajamento a mulher nas atividades eclesiásticas. Mas no caso do mundo pentecostal prevalece a leitura sem sua posterior contextualização (...) A maioria das mulheres é relegada a segundo plano, tanto no aspecto de direção quanto nos trabalhos regulares. Já entre os protestantes tradicionais, o espaço para a atuação da mulher é um pouco maior...”[7]

Mas a pouca disposição em dialogar bem como o caráter impositivo das lideranças pentecostais logo provocariam um fenômeno bem característicos entre os pentecostais, a cisão. Já nos anos 50 conflitos entre personalidades fortes de igreja pentecostais principalmente as AD, desencadeariam a saída de lideres que tomavam a iniciativa de formar outras igrejas[8]. Entre 1953 e 1956 surgiriam igrejas sem muita expressão nacional, mas que regionalmente eram estruturas que garantiriam a visibilidade de seus lideres, como Igreja Evangélica do Espírito Santo, Igreja Evangélica Independente, Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia no Brasil. Esse fenômeno só se intensificaria nos anos seguintes e seria continuado nos anos 90 com a consolidação do neo-pentecostalismo.

Desta forma definitivamente o pentecostalismo se fechava em si mesmo e se tornava um agrupamento hermético e sem unidade. A mídia era identificada como inimiga e um arauto do anti-Cristo. Oficialmente em 1957 a Convenção das Assembléias de Deus proíbe todos os fieis da denominação de terem televisão em casa[9]. Contudo alguns segmentos do pentecostalismo que tiveram a sua origem no EUA e não estavam sujeitos ao discurso conservador do pentecostalismo clássico brasileiro, passaram a se inserir nas rádios, como foi o caso da Igreja Evangelho Quadrangular.

Harold Williams Raymond Boatright nos anos 50 iniciam um novo paradigma de igrejas pentecostais. Promovendo a Cruzada Nacional de Evangelização esses dois ex-atores do cinema americano movimentam massas através da mensagem de cura divina e tendo como espaços as tendas de lonas. Nesse mesmo momento as emissoras de rádio começam a ser utilizadas pela Igreja do Evangelho Quadrangular, resultado da CNE[10].

Também a utilização do rádio era um tabu para igrejas como AD e CCB, logo assim que a IEQ começa a ostensivamente aparecer no rádio estabelece-se um conflito entre esses dois paradigmas de evangelismo e proselitismo, enquanto a AD utilizava-se de campanhas, a CCB do evangelismo pessoal, a IEQ se apresentava com abordagem midiática que divulgava junto a população de modo geral das suas cruzadas[11]. Essa atuação da IEQ seria seguida com sucesso pelo Pastor Manuel de Mello, a frente do “Brasil para Cristo”. Já na segunda metade dos anos 50 as campanhas da CNE já haviam despertado interesses de lideranças das Assembléias de Deus, que seguiriam Manuel de Mello[12].

O publico alcançado pelo Brasil para Cristo tinha o mesmo perfil das demais igrejas pentecostais, era composto de retirantes e operários. A mensagem com forte ênfase na atualidade dos dons e da imanência de Deus na vida da gente simples. Dessa forma o BPC, passaria a ser uma alternativa aos evangélicos pentecostais que não se ajustassem aos rigores do legalismo das Assembléias de Deus, da Congregação Cristã e da Deus é Amor que surgiria mais tarde.

Pode-se com relativa segurança supor que juntamente com a IEQ a IBPC contestariam o estereótipo de fiel obediente a usos e costumes. O rigor ascético do setor mais conservador do pentecostalismo foi colocado em dúvida, e junto com ele as convicções de que tudo que era secularizado era uma ameaça a existência da Igreja. Rapidamente vozes seriam questionariam a validade das ameaças.

O estilo jovem a liturgia arejada e a assimilação da estampa norte-americana assumida pelos missionários e membros da IEQ abririam espaço para que costumes fosse repensados na vida cristã e com isso uma maior tolerância do pentecostalismo junto aos meios de comunicação, a principio do rádio, mas mais tarde da televisão[13].

A “Deus é Amor” uma das mais rígidas e conservadoras igrejas do meio pentecostal se utilizaria do rádio no início dos anos 60, o BPC já estava na década anterior. O programa “A voz da libertação” seria um dos maiores instrumentos de divulgação do ministério do Missionário Davi Miranda. O rádio ainda seria responsável pelo surgimento e consolidação da Igreja de Nova Vida. Esta igreja nascia de maneira singular, através do rádio, e se apresentaria junto a sociedade de forma ainda não vista até então.

A Igreja de Nova Vida do Bispo McAlister seria uma igreja que atendia a classe media, com uma mensagem pentecostal e carismática, em cujo discurso era perfeitamente compatível com os valores urbanos, algo relevante se considerarmos que a sociedade brasileira dos anos 60 e 70 estava em franca urbanização[14]. Assim sendo os precedentes para o uso relativamente bem sucedido do rádio estavam devidamente afirmados. A mídia ao poucos seria considerada como uma possibilidade pela maioria esmagadora dos evangélicos. Contudo a televisão ainda estava distante, ora pelo custo de uma programação, ora pelas convicções de costumes de alguns setores.

As primeiras inserções na mídia televisiva aconteceriam entre os batistas na televisão Gazeta com o programa “Um pouco de sol”[15]. Poucas igrejas se aventurariam a o investimento que a tv exigiria, a viabilidade dessa necessariamente exigiria uma malha de igrejas que tivessem um caixa único. Esse foi o método de arrecadação e gerenciamento de recursos financeiros que permitiriam que alguns grupos de pentecostais, os de origem não clássica, viessem a acessar os veículos de televisão[16].

Mesmo com essas dificuldades ainda nos anos 60 os pentecostais poderiam ver a sua pregação sendo exposta em um aparelho de televisão, uma vez que o Bispo McAlister ingressava na TV Tupi. Essa iniciativa seria decisiva na formação dos seus auxiliares que até então o seguiam e que mais tarde também se utilizariam da televisão para divulgação de suas igrejas[17].


[1] ALENCAR. Gedeon. Protestantismo Tupiniquim. Arte Editorial. P.23
[2] FRESTON. Paul. Breve Historia do pentecostalismo brasileiro. ANTONIAZZI (org.). Nem anjos nem demônios. Vozes. São Paulo. P.84
[3] CAVALCANTI. Robson. A Igreja, o país, e o mundo: desafios a uma fé angajada.
[4] GONDIM. Ricardo. É Proibido. Mundo Cristão. P. 104-105
[5] CAMPOS. Luis de Castro. Pentecostalismo Sentidos da Palavra divina. Ática. 1995. P.84
[6] FRESTON. Paul. Breve Historia do pentecostalismo brasileiro. ANTONIAZZI (org.). Nem anjos nem demônios. Vozes. São Paulo. P.86-87
[7] CAMPOS. Luis de Castro. Pentecostalismo Sentidos da Palavra divina. Ática. 1995. P.85
[8] FRESTON. Paul. Breve Historia do pentecostalismo brasileiro. ANTONIAZZI (org.). Nem anjos nem demônios. Vozes. São Paulo. P.88
[9] CAMPOS. Leonildo. Evangélicos e Mídia no Brasil. Um acerto e desacertos. Revista de Estudos da Religião. Setembro/2008. P. 15
[10][10] FRESTON. Paul. Breve Historia do pentecostalismo brasileiro. ANTONIAZZI (org.). Nem anjos nem demônios. Vozes. São Paulo. P.113-115
[11] Ibdem. P. 103-106
[12] MENDONÇA. Antonio Gouvêa. Introdução ao Protestantismo no Brasil. Loyola. 2002 P.53
[13] ALENCAR. Gedeon. Protestantismo Tupiniquim. Arte Editorial. P.50
[14] CAMPOS. Leonildo. Evangélicos e Mídia no Brasil. Um acerto e desacertos. Revista de Estudos da Religião. Setembro/2008. P. 11
[15] CAMPOS. Leonildo, Teatro, Templo e Mercado. UMESP. São Bernardo do Campo, 281-282
[16] CAMPOS. Leonildo. Evangélicos e Mídia no Brasil. Um acerto e desacertos. Revista de Estudos da Religião. Setembro/2008. P. 10
[17] SANTANA. Luter King de Andrade. Religião e Mercado: A mídia empresarial-religiosa. Revista de Estudos da Religião. nº 1. 2005, P.57

Televisão no meio pentecostal: De uma ameaça a um objeto de consumo. O caso das Assembléias de Deus.

Primeira parte de uma monografia apresentada ao Programa de Pós graduaçao em Ciência da Religião da Universidade Metodista de São Paulo na disciplina de "Religião e Mídia" segundo semestre de 2009.

Introdução
A que segmento pertencem os Pentecostais clássicos?
Desde os tempos da colonização portuguesa no Brasil que se pode ver tentativas de inserções de agrupamentos cuja confissão religiosa era o protestantismo. Isso comprovou-s com a presença dos huguenotes franceses, ao fundar uma colônia no Rio de Janeiro no século XVI. Os holandeses ao ocuparem Pernambuco entre os anos de 1630 e 1654 também contribuiriam para registros da presença protestante no território. Contudo essas seriam as únicas manifestações do protestantismo até o século XIX. Desde 1824 o Império viu surgir as primeiras igrejas luteranas, resultado da imigração alemã. A partir da segunda metade do século XIX igrejas congregacionais e presbiterianas, são estabelecidas por missionários americanos. Após eles viriam os metodistas, batistas e episcopais.

O século XX seria o período da chegada e difusão rápida da vertente mais nova do protestantismo, o pentecostalismo. O pentecostalismo cresceria no contexto do movimento Holiness, um movimento surgido entre os metodismo americanos do século XIX. Dos Estados Unidos, o pentecostalismo se espalharia através de pregadores itinerantes. O pentecostalismo clássico, como qualquer vertente do cristianismo, sofreria cisões e evoluções, logo se estabeleceria o surgimento nas últimas décadas do século XX de um pentecostalismo mais autônomo, esse pentecostalismo teria sua pregação enfatizada na cura, exorcismo e prosperidade.

Belém do Para seria a primeira cidade brasileira a verificar a atuação dos missionários pentecostais quando em 1910 os imigrantes suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren iniciaram cultos numa igreja batista. A cisma seria questão de tempo e o resultado seria a igreja Assembléia de Deus. Por décadas a AD seria a principal denominação pentecostal brasileira. Nos anos 60 cruzadas evangelísticas seriam efetuadas o que provocariam o surgimento de mais vertentes no meio pentecostal como “Igreja do Evangelho Quadrangular”, “O Brasil para Cristo”, e “Deus é amor”

Nos anos 70, mais uma corrente do pentecostalismo surgiria no solo brasileiro, sob a iniciativa do Bispo Robert McAlister, a Igreja da Nova Vida seria fundada. Até o final dessa década mais denominações surgiriam tendo como referencia a teologia do Bispo MacAlister, uma dessas igreja seria a Universal do Reino de Deus. O que diferenciaria essa igreja das demais entre tantas coisas era a utilização agressiva dos meios de comunicação principalmente a televisão.

Até os anos 70 a televisão era vista com indiferença, desconfiança pelo protestantismo brasileiro. O pentecostalismo manifestava verdadeira repúdio pela TV, as pregações e ensinos nessas igrejas em especial na Assembléia de Deus era claramente de reprovação aos fiéis que tinham televisores em casa. O fator preponderante para que a TV fosse vista como inimiga pelo pentecostalismo clássico era o forte apelo puritanista e uma pregação que não diferenciava a doutrina historicamente aceita pela tradição da igreja com usos e costumes. Esses usos e costumes foram os elementos que marcariam decisivamente o pentecostalismo clássico[1].

Por muito tempo o estereótipos de evangélico era associado a restrições de roupas, musicas e lazer. De uma forma geral os fieis dessas igrejas assumiriam um estilo de vida cheio de restrições, cuja desconfiança em relação a sociedade era visto como uma preservação da fé. A “sã doutrina” freqüentemente era evocada tendo em vista as inovações de pensamento próprios da modernidade. Os membros de igrejas pentecostais clássicas, e das históricas, eram “doutrinados” a desconfiar ou mesmo a recusar com veemência qualquer reflexão que contesta-se o estilo de vida vigente e ensinado nos púlpitos[2].
[1] MARIANO. Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. Loiola. P. 190
[2] CUNHA. Magali do Nascimento. A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico. P. 42.

continua ...

13 de jan. de 2010

Sindrome do bode expiatório

Boi de Piranha!!

Algo se perde para se ganhar mais a frente.

Desde tempos antigos o sacrifício esta presente nas culturas

Sacrifícios são necessários para que se afirme a justiça e inocência

Na vida das pessoas o sacrifício tem sido evocado com o objetivo de legitimar merecimento

Sacrifícios são associados com perdas e privações

Sacrifícios são associados com castigos e restituições

Muitas pessoas andam por sacrifícios.

Andar por sacrifício é andar por culpa, buscando justificação

Andar em sacrifício é andar por causa e efeito.

Na vida das pessoas a misericórdia assume uma postura de ignorar o merecimento

Misericórdia é associada com restaurações

Misericórdia é associada com perdão

Misericórdia é uma jornada que cada cristão deve percorrer.

Andar em misericórdia é andar justificado sem procurar culpados

Andar em misericórdia é andar ignorando causa e efeito

Muitas relações são pautadas pelo sacrifício.

Alguém sempre assume a postura de vitima ofendida, outro de bode expiatório

Em casamentos, lares e pequenos grupos que vivem sobre o espírito do sacrifício sempre se estará procurando o culpado pelo transtorno.

Em contrapartida.

Relações pautadas pela misericórdia não há necessidade de sacrificar ninguém

Na misericórdia não há espaço para vitimas ofendidas nem para bodes expiratórios, mas para cumplicidades.

Em casamentos, lares e pequenos grupos que estão na jornada da misericórdia sempre há disposição para que se promova cura.

Sacrifícios acontecem em lugar publico, é ato solene.

Misericórdia acontece ma lugar privado é ato pessoal

Sacrifícios afirmam separações

Misericórdia afirmam inclusões

Sacrifícios nascem de espíritos indignados.

Misericórdia brotam de corações pacificadores

Sacrifícios consumam-se na morte

Misericórdia promovem a vida.

Perfeição. O que é isso?

A noite logo chega e a lua não ajuda muito. Não importa, pois as velas dão sua luz e, antes que as pálpebras fiquem pesadas, o escultor deverá terminar o que se propôs pela manhã: levantar e continuar a tarefa de buscar uma figura que dê sentido para os que voltarem os olhos para aquele pedaço de mármore.

Por dias o escultor estará sumido da casa dos amigos, não será visto nem no mercado ou na feira. Os muitos aprendizes não poderão receber suas instruções até que a obra seja terminada. O processo de formatação da sua escultura se dará de várias maneiras. Poderá o artista usar suas ferramentas e procurar desenhar algo que sonhou, por exemplo. Ele também poderá consultar algumas fontes, por exemplo, ler uma obra original que descreve seu modelo para escultura. Não importa a consulta; o que importa é a obra ser finalizada, tornando-se uma arte admirada por todos nos próximos quatro séculos.

Há quem diga que quando o artista terminou sua obra, tomou um de seus instrumentos, tocou a escultura, e disse: “Parla”, ou seja: “Fala”. Estava pronta a obra chamada “Moisés”, do grande artista Michelangelo Buonarotti. A expressão “parla” atribuída ao italiano deveu-se principalmente porque o artista estava convencido da perfeição da obra realizada. Contudo, apesar de toda a perfeição atribuída à obra, é possível ver algo de estranho. Na cabeça de Moises existem duas protuberâncias, parecem chifres, algo que destoa da escultura. A justificativa é que Michelangelo consultou uma tradução latina da Bíblia e ele leu “chifre”, ao invés de “rosto” resplandecente, como estava no original hebraico, ou seja, um erro de tradução que afetou para sempre a obra.

A perfeição é o alvo que os mais dedicados procuram, os entusiasta aspiram, os sonhadores almejam. Porém, definitivamente não encontram. Isso porque as referências usadas durante a busca estão sujeitas às imperfeições ou total corrupção. Cedo ou tarde alguém vai descobrir um defeito, ainda que mínimo. Se as referências são limitadas, as obras são passiveis de falhas. É por isso que Jesus, quando falava de perfeição, apresentava Deus como sendo a suprema referência. Jesus citava a Moisés (Levíticos 11.44) quando orientava os discípulos a serem perfeitos como perfeito é o Pai celeste (Mateus 5.43-48).

Cristo redefiniu o sentido de perfeição.

Moisés, ao falar no deserto, convocava o povo a “ser santo como Javé era Santo”. Já nos evangelhos, a palavra “santo” é apresentada como “perfeito”. Segundo o que Mateus nos relata do ensino de Jesus, a perfeição é uma atribuição dos filhos de Deus que amam inimigos e que oram pelos seus perseguidores. Ao ensinar sobre isso, Jesus não somente ensina sobre perfeição, como conceitua sobre santidade. Contudo, é intrigante a diferença entre o conceito de perfeição de Jesus e o conceito de perfeição da humanidade, e ainda mais gritante se tomarmos a visão de Michelangelo, o excepcional artista.

Ambos propõem a feitura de uma grande obra que levará muito tempo. O intuito da escultura era ornamentar o túmulo de um Papa e Michelangelo trabalhou quarenta anos entre o tempo de encomenda da escultura até sua entrega. Jesus propõe uma vida toda para a feitura da sua obra de perfeição. Miguelangelo colheu no final perseguições e inimizades, tanto da parte dos familiares do Papa como de outros artistas. Já a obra de Jesus, que tem como inspiração o relacionamento fraternal e familiar com Deus, consiste na harmonia com os perseguidores e inimigos, uma vez que a motivação é o amor e a intercessão.

A obra de Michelangelo estava finalmente concluída e permaneceria estática, sendo vista por uns poucos que a ela teriam acesso. Mas, graças a Deus pela perfeição da obra de Cristo. Tal obra ainda não está sendo feita. Diariamente é aprimorada, a obra continua. Uma vez que tem como matéria prima a vida dos que d’Ele são discípulos. Por mais admirável que qualquer escultura possa ser, nada impressiona mais do que a obra de perfeição que os seguidores de Jesus têm se sujeitado, amando inimigos e orando por perseguidores, agindo em resposta ao convite de Jesus para oração e perdão. Alguns poderiam dizer que isso é pura consagração ou piedade, religião ou filosofia, estilo de vida ou simplesmente credo. Jesus chama isso de perfeição.

O discurso de Deus

“Nada tenho a oferecer exceto sangue, trabalho, lagrimas e suor” (...) “Nós lutaremos nas praias, nós lutaremos nas áreas de desembarque, nós lutaremos nos campos e nas ruas, nós lutaremos nas áreas de desembarque, nós lutaremos nos campos e nas ruas, nós lutaremos nas colinas, nós nunca nos renderemos”

Estas foram as palavras de Wiston Churchill o primeiro ministro da Inglaterra nos anos em que Londres era vorazmente bombardeada pela aviação nazista no momento em que parecia que a Alemanha ganharia a segunda guerra mundial. Discursos inflamados e inspirados como esses foram um dos motivos para que o animo do povo inglês não fosse diluído ante o estampido de tantas bombas.

Palavras de incentivo costumam ser matéria prima para a reação dos que já há muito desistiram de se empenhar. São essas palavras que ao saírem da boca de um técnico levam os seus atletas a se superarem e a renderem o que normalmente não renderiam. São as palavras de incentivo de um pai que levam jovens a comprometerem-se de tal forma que podem ver os seus nomes impressos nas listas de aprovação dos melhores estabelecimentos de ensino. Homens tem sua disposição de lutar e de empreender-se quando ouvem de suas esposas e companheiras palavras que lhes restaura a coragem. Ou seja tanto discursos quanto vocábulos são elementos sempre presentes no sucesso de qualquer pessoa.

É por isso que o mestre Jesus em um dos momentos de maior provação e quando estava sendo tentado no deserto a abandonar a sua missão disse que não só de pão viverá o homem mas sim de toda a palavra que sai da boca de Deus.

Quando Jesus pronunciou essa sentença que originalmente tinha sido dita por Moises quando da travessia do povo hebreu pelo deserto do Sinai. Tanto naquele contexto quanto no contexto de Jesus é possível identificar alguns algumas circunstancias em que é possível o ser humano experimentar ouvir o discurso inspirativo de Deus, aquele discurso que é capaz de levar a qualquer homem ou mulher a atravessar desertos, que é capaz de fazer qualquer guerreiro lutar batalhas já perdidas, que é capaz de conduzir qualquer pessoa a acreditar na defesa de sua família ainda que os prognósticos sejam os piores. Tudo isso só é possível por que o autor do discurso chama-se Deus. Foi isso que Jesus nos ensina no deserto ao citar Moises. E Ele nos revela quais as circunstancias em que é possível ouvir a voz do altíssimo como o rugido de um valente Leão. Essas circunstancias são:

· Humilhação: Javé havia assumido a responsabilidade pelo povo estar sendo humilhado no deserto. A culpa não era do Faraó, nem dos egípcios mas sim de Deus isso porque Ele queria mostrar que não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

· Sustento: Javé havia providenciado aos hebreus o manã que os sustentaria, uma vez que esse povo alimentou-se não do que plantou nem do que comercializou mas sim do que Deus prometeu que os daria, viver assim é viver crendo que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

· Tentação: Jesus ao se recusar transformar pedras em pães e assim sujeitar-se a fome até que no momento certo fosse servido mostra a todos os que presumem segui-lo que essa jornada só é possível a quem não vive apenas de pão mas de toda a palavra que saí da boca de Deus.

Os discursos feitos pelos maiores oradores do mundo foram capazes de derrubar e levantar impérios, forma capazes de aprisionar e libertar multidões. Contudo nenhum discurso tem alimentado mais almas e corações que os discurso pronunciado pelo Todo Poderoso Deu e Pai de jesus, isso por que Ele sabe, que

“Nem só de pão viverá o homem mas sim de toda a palavra que procede da boca de Deus”

Transições. Qual é a sua?

Transições quaisquer que sejam costumam exigir muito dos que a experimentam, não raro são momentos de conflitos. De modo geral todo mundo já vivenciou isso na sua vida. A primeira transição que as pessoas experimentam é o nascimento, de uma só vez as pessoas são removidas sem aviso prévio de um lugar quente protegido e acolhedor e levadas a um mundo frio, agressivamente iluminado barulhento enfim hostil. Por toda a vida as transições acompanharam o ser humano, ele em breve deixara de tomar somente leite e comera alimentos processados, vera sua boca sendo rompida por dentes, que mais tarde cairão da sua boca quando ele estiver na escola, escola que será deixada para que ele ingresse em outras com outros rostos. Muito rapidamente esse ser se descobrirá deixando de ser criança e verá seu corpo mudar, adquiri formas mais viris quando rapazes ou sensuais quando moças. As brincadeiras e aspirações mudarão na mesma velocidade que a voz vai sendo alterada, com o tempo as responsabilidades irão sendo assumidas alguns sonhos serão deixados na medida que a meia idade for chegando, compromissos vão sendo assumidos, pessoas entrarão e sairão da vida os filhos chegarão e a vida que antes era em um agora é em 2 em 3 ou 4 as vezes 5, é a familia que cresce. Até que a terceira idade chega, as idéias são outras as paixões ficam mais arrefecidas a prudência mais aguçada e o corpo, bem o corpo não é mais o mesmo, não responde com a mesma intrepidez que antes, tudo isso chama-se transição, ela acontece com todos, e é comum que as pessoas percam o sono e sintan-se ameaçadas com esse processo. Mas a transição é algo tão certo e tão presente na raça humana que ela acontece até mesmo nos macro relacionamentos, nas relações sociais, por séculos povos viram reinos surgirem e depois desaparecerem sem deixar vestígios alguns, reis imponentes seriam lembrados apenas pela grandiosidade de seus túmulos e nada mais. A história tem mostrado dinastias inteiras sendo trocadas com a mesma facilidade com que o sol se Poe o a lua muda de fase, uma nação que viu isso acontecer foi Israel no inicio do milênio, esse pais era uma protetorado de Roma com um rei déspota e temido que parecia exer cer o seu comando por muitos anos como fizeram seus antepassados até o dia que a sua capital Jerusalem foi visitada por uma comitiva de nobres vindos do oriente com o objetivo de adorar o novo rei de Israel, pronto estava anunciada a transição do trono de Israel, sairia de um sujeito inseguro, mau, vaidoso e iria para um servo, alguém manso, misericordioso, e verdadeiramente sábio e integro. A transição na corte de Jerusalem, era também na vida de Herodes que estava sendo avisado que o tempo de reinado dele tinha chegado ao fim, era a transição de toda a cidade de Jerusalem que passaria a ter um novo monarca, era para todo o Israel que deveria ter a sua adoração e seu culto definitivamente revisto a luz da visita de Deus, mas era uma transição para toda a humanidade que agora seria chamada para submeter-se de baixo de um único reino, um reino de Justiça, de paz e de alegria, o Reino de Deus. Essa era a transição anunciada pelos nobre do oriente, no evangelho de Mateus cap. 2 versos 2 e 3.

Mas Herodes resistiu a transição, e inutilmente como uma bebe que não quer nascer, uma criança que não quer ver seus dentes cair, uma adolescente que não quer ver seu corpo mudar, uma adulto que não quer amadurecer, ou um velho que não aceita suas limitações biológicas, dessa forma Herodes não quis entender que não somente a vida dele como a de todos em Jerusalém e Judéia estava passando por uma transição, uma vez que o verdadeiro e legitimo rei estava chegando para ocupar o trono que era dele por direito.

Mas essa transição não era restrita apenas ao povo judeu do século I, era uma transição extendida a toda humanidade, extrapolada para todos os demais reis, imperadores, governantes, súditos e cidadãos, essa transição de governo, essa mudança do cetro da mão do homem para a mão de Cristo é transição que todas as gerações são chamadas para vivenciar, a saber o estabeleciemnto do governo de Cristo no coração de cada pessoa. O verdadeiro significado do natal deveria ser esse, a celebração do governo humano, a descido do ser humano do trono, e o reconhecimento por todos da autoridade de Cristo.

Cada pessoa exatamente nesse momento está em um momento de transição na sua vida, está nom momento de mudança na sua vida social e biológica, contudo nenhuma transição é tão significativa e tão significativa quanto a transição do governo de sua vida, a saber a ocupação do trono do coração por Cristo nosso Senhor. Essa é a maior transição que alguém poderia verificar, era essa a intenção de Cristo quando do seu nascimento na Palestina no primeiro século. Ser o rei de todos os homens e prepará-los para a outra inevitável transição que todos os seres serão submetidos aquela em que o ser humano parte para encontrar-se com o Soberano de todo o universo. Mas isso é uma outra história. Que nessa transição de ano celebremos o dia em que o trono do nosso coração passou a ser ocupado por quem de direito merece a saber Jesus Cristo, e caso isso não tenha acontecido então que seja permitido que essa transição ocorra, e que Ele passe a ser o único soberano dos nosso corações.

O melhor lugar para se guardar tesouros

Qual o melhor lugar para se guardar os ganhos que cada indivíduo tem conquistado? Bem essa pergunta não é original, tanto pobres como ricos querem saber como e de que forma poderão esconder os seus bens. O homem moderno se utiliza dos serviços bancários, da tecnologia que lhe permite movimentar valores sem mesmo vê-los ou ter que expô-los. Mas nem sempre foi assim, por séculos a maneira mais segura de se guardar riquezas era enterrando, essa pratica era comum, comum a tal ponto que não poucos eram os que se dedicavam a procura de tesouros, dessa forma templos eram profanados, túmulos eram invadidos, e cofres eram abertos tudo por conta da busca de um tesouro. Há muito o tesouro ocupou um espaço na mente coletiva das pessoas uma vez que eram cercados de mitos e de significados, representavam perigo, busca, procura. O tesouro era o premio para os que labutavam em uma expedição dura.

Assim sendo tesouros assumiram o símbolo de premio para os que não se contentavam com o que esta na superficialidades. Se pensarmos na alma humana como sendo o lugar onde são escondidas todas as experiências humanas então a busca do tesouro deveria acontecer como sendo uma procura de valores dentro de si, isso quando de fato lá se encontram. Desta forma tesouros são os arquétipos de valores que valem ser guardados, escondidos, preservados ou que devem ser conquistados, procurados, buscados e quando encontrados festejados. Contudo cada tesouro em virtude de sua natureza tem a sua forma de ser guardado uma vez que as ameaças a esses tesouros não são as mesmas logo necessitam de tratamento diferenciado.

Jesus nos revela 4 tipos de tesouros no capitulo 6 e versos 19 a 21 do evangelho de Mateus. Ele nos fala dos tesouros que as traças corroem. Quando ele fala desse tipo de tesouros ele esta falando de roupas e vestimentas, uma forma de também investir os recursos conquistados, mas não só isso, também uma forma de demarcar a posição social, a classe a que se pertence, e o papel que se ocupa socialmente. Desde muito cedo as pessoas tem sido avaliadas e julgadas pelas roupas que vestem, para muitos o tesouro consiste no status que ocupam em uma comunidade. Mas Jesus adverte as traças ao corroem as roupas também consomem a posição. O próprio uso não destrói apenas as roupas mas também a posição, o status, e o lugar que se ocupa.

Outro tesouro que Jesus fala é o tesouro consiste naquele em que a ferrugem consome, ou seja as estruturas feitas de ferro, Jesus nesse momento estava falado daquilo que o ferro era utilizado a saber espadas, carros, e equipamentos, na época de Jesus essas estruturas eram responsáveis pela manutenção da ordem e do poder. Para muitos o tesouro que vale a pena ser guardado consiste em poder, comando, controle, força, mando, mas também esse tesouro é destruído com o tempo, mais dia ou menos dia, o poder sofre a corrosão da mesma forma que o ferro que é exposto ao clima.

Outro tesouro são os próprios valores em espécie. Até a época moderna, a expressão valores eram utilizadas unicamente para identificar e quantificar o que estava cunhado nas moedas. A impressão da moeda mais o peso de seu material revelava o quanto se estimava a moeda. A moeda é portanto a riqueza real a capacidade de comprar as facilidades da vida, de adquirir os bens desejados, de conquistar as aspirações. Na contemporaneidade a expressão valor passou a receber mais um sentido, passou a exprimir aquilo que se acredita e que se estima muito, do que não se abre mão. Mas Jesus também afirma que os tesouros em forma de valores são expostos ao roubo e ao saque, por mais que se guarde eles são sujeitos a serem escavados, procurados, e levados, o mesmo pode acontecer com os tesouros existenciais, uma vez que a vida acontece, e que fatalidades acontecem também os valores morais as vezes correm o risco de serem sacados dos corações de quem os cultiva. Ladrões não roubam apenas dinheiro, ouro, prata, e jóias, roubam também valores morais de seus donos tão logo esses vejam os seus bens e sua integridade estejam sendo ameaçados.

Mas Jesus nos fala de um outro tesouro ao qual a traça com a dinâmica da vida não é capaz de corroer, a ferrugem com o tempo não é capaz de consumir, ou mesmo os ladrões não são capazes de por as suas mãos. Esse tesouro não é claramente revelado, e sua natureza não é exaustivamente descrita, contudo é possível deduzi-lo uma vez que jesus nos revela onde esse tesouro é guardado e onde ele não pode ser guardado.

Esse tesouro não é guardado na terra, logo não é material. É guardado no céu, no cofre que esta na casa de Deus, no lugar onde os homens não podem entrar se não forem convidados, logo este tesouro é sobretudo espiritual. Na realidade esse tesouro consiste no credito que cada ser humano poderá ter com Deus, será a aprovação desse, o reconhecimento dele, uma posição que não depende das roupas ou lugar social de cada pessoa, mas antes do lugar no qual pessoa pode estar a saber debaixo da sombra de cruz de Cristo. Esse tesouro não depende do poder e da força que cada pessoa vê a sua disposição, mas antes do poder de outro, Deus que o concede aqueles que ele quer que sejam feitos seus filhos. Esse tesouro tão pouco consiste nos valores monetários ou mesmo morais que cada um possui, antes é constituído de outro tipo de moeda corrente no reino de Deus a saber a misericórdia, o perdão e o amor, algo que somente Deus pode cunhar no coração das pessoas, uma riqueza que é dele, vem de suas mãos e por ninguém pode ser pilhada.

8 de out. de 2009

Ninguem me ouve na minha Igreja. O que eu faço?

Uma irmã que não conheço me mandou um email relatando alguns desgostos em relação a sua igreja, isso porque ela tem percebido que sua comunidade apresenta problemas, inclusive entre os lideres. Esses alem de não darem ouvidos a ela ainda passaram a deflagrar escândalos de ordem sexual. Ela reclama que fala na igreja, que adverte, que crê que Deus tem se utilizado dela para fazer Sua vontade conhecida, contudo essa irmã não tem sido ouvida, uma das razões por ela citada é a postura “tradicional” da igreja. Segue a resposta que dei a essa irmã.


Paz irmã.

Você já deve ter ouvido aquele pensamento que diz que o pior cego é aquele que não quer ver. Pois bem, se esse é o pior cego, não sei, mas é o tipo de cegueira mais comum nos nossos dias. É surpreendente quanta gente cega por opção existe, e esse exercício de escolha de não enxergar é particularmente comum entre os crentes, eles tendem a não querer enxergar o óbvio, o que todos são capazes de ver, aquilo que os não-crentes, os do “mundo” já observaram tempos atrás.

Bem minha querida, ai entra o trabalho do profeta, um aspecto muito importante encontrado no profeta e negligenciado por muitos é a capacidade deste de falar. Agente pensa que profeta é o que vê o que ninguém vê, isso pode ser verdade, mas não é toda a verdade, uma vez que alguns fatos são patentes aos olhos das pessoas, pelo menos aos olhos de quem quer ver e não optou por ser cego.

Outro atributo do profeta que por todos é conhecido diz respeito ao fato de ouvir a Deus, no meio cristão como um todo, há um consenso em aceitar que Deus não esta limitado a alguma elite religiosa que foi escolhida para manifestar a sua vontade e a sua opinião, assim sendo a opinião de Deus parece ser de “domínio publico” haja visto a quantidade de igrejas que existem e que todos os dias são abertas, isso só é possível por que a fala de Deus não esta restrita a um segmento ou uma categoria de pessoas. Logo o profeta é alguém que ouve Deus, mas não é o único.

Mas então o que faz do profeta alguém significativo? Se não é o que ele vê e não é o que ele ouve, então o que é? É o que o profeta fala é que conta, pois todos vêem, menos os cegos de opção, todos ouvem, menos os que surdos de opção, mas apenas o profeta fala, isso porque falar não é opção, é mandamento. Você não tem direito de escolher ficar calada, tem que falar.

Mas do ponto de vista da comunicação humana o que vai legitimar a sua fala? Sim por que não basta você falar, você tem que ser entendido. Você tem que usar os códigos utilizados pela comunidade na qual você esta inserida. A forma com se fala impressiona mais do que o que se diz. Nós nos preocupamos mais com o conteúdo do que com o processo de comunicação em si, e isso acaba nos impedindo de ser ouvidos. Nós deveríamos nos preocupar com a forma pela qual falamos o que pensamos, ou que Deus pensa, no caso dos profetas.

E por que estou dizendo isso? Por que como você falou os “tradicionais” da sua igreja tem uma linguagem, se você quiser transmitir algo a eles terá que falar a linguagem e usar os códigos que eles utilizam. É trabalhoso? Pense nos índios, nos esquimós, nas tribos urbanas. Todos esses tem sua linguagem e os missionários tiveram que dominar a linguagem deles. Infelizmente minha amada muitos de nós pensam que por serem usados por Deus terão que falar um outro dialeto, o “profetes”, o dialeto falado pelos crentes profetas, resultado; não são entendidos, e ainda correm o risco de se tornarem motivo de piada.

Logo minha irmã não deixe de falar o que você entende que Deus tenha te revelado, mas não se engane, os outros também verão o que você viu, é que para eles é conveniente não enxergarem. Saiba também que em alguns casos as pessoas assumem alguns rótulos ou posicionamentos como os de serem “tradicionais”, “renovados” ou mesmo “pentecostais”, para se protegerem e justificarem algumas atitudes, (ou falta de atitudes). Não se engane, a cor denominacional não é desculpa para alguém dizer que não sabe o que esta acontecendo na sua igreja. O que motiva as pessoas a não saberem o que acontece é a conveniência. As vezes é conveniente não saber o que esta acontecendo.

Só para finalizar, quando você tiver que advertir alguém seja, prática, objetiva e direta. Fale do que se trata, seja pontual e descritiva, alem de discreta, e nunca, nunca mesmo permita que outra pessoa tenha acesso ao que você esta falando a pessoa em questão. Outro cuidado, procure não reforçar os estereótipos de profetas que as pessoas já internalizaram consigo, isso apenas reforça os preconceitos, e a impede de ser ouvida.

Só para sua informação querida, quando você pensar em altar, pense em algo bem mais elevado, pense na vida das pessoas, pense no coração das pessoas, pense existência da pessoa como um todo, procure não pensar em um lugar, ou em um espaço de exercício da religião. Sabe por que? Porque a relação com Deus é mediada e processada no âmbito do afetivo e do espiritual, não no âmbito do litúrgico, logo quando há mácula e contaminação, essa existe no tocante a alma das pessoas, por essa razão os altares materiais podem estar ornados enquanto os corações estão em completa desordem, a síndrome do sepulcro caiado que Jesus falava.

Sobre ser ouvida, não se preocupe muito com isso. Sempre tem alguém que estará ouvindo você, essas pessoas não se manifestam na hora, elas de maneira cautelosa esperam os fatos ocorrerem, as profecias se cumprirem para então começar a assumir posições, é verdade que existem os “cabeças duras”, mas entregues eles para Deus. Deus trata desses, pense nos pequenos, nos que estão de baixo da sua sombra, e que por você são influenciados, não se preocupe em influenciar pessoas que não são da sua relação direta, pense nos que entram e saem de sua casa, que comem na sua mesa, que tomam ou que lhe dão carona, é com esses que Deus espera que você exerça o seu ministério.

Finalizo dizendo. Tome cuidado com o corporativismo evangélico, seja cristã antes de ser denominacional, seja denominacional se for conveniente para o exercício de seus dons. No mais alegre-se no Senhor.

Que Deus te abençoe e continue lhe dando coragem e sabedoria na transmissão dos fatos que Ele lhe tem permitido ver.

Escreva quando quiser.
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26 de ago. de 2009

A igreja me usou. E agora, o que eu faço?

Semanas atrás recebi um email de alguém frustrado com seus relacionamentos bem como as atividades na Igreja que faz parte. Essa pessoa desconfiava que tinha sido usada para promoção de algum sistema religioso. A esta pessoa eu respondi da seguinte forma:

Bem irmã na vida agente faz escolhas, essas escolhas podem ser comparadas a apostas, melhor dizendo, elas são apostas. Agente investe o que tem em algo que acredita, agente investe tempo, dinheiro, talentos, atenção, e principalmente aquilo que vale mais do que tudo isso, agente investe o nosso coração. Bem. Como eu falei é uma aposta, cremos que vamos encontrar um retorno nisso tudo. Essa aposta pode ser feita de maneira consciente ou inconsciente, é melhor que seja consciente. E por que? Porque quando essa aposta é consciente somos capazes de mensurar se o que pretendemos colher ou ver acontecer valerá o que estamos colocando na “mesa da vida”. Quando a aposta é consciente agente repensa antes se os riscos de perder parte ou tudo do que esta sendo apostado valem a pena. Se o risco é baixo agente investe com certa segurança, se é alto, agente repensa se e poderá não fazê-lo ou pedir uma contrapartida maior. Por isso tem que ser consciente para que agente tenha a oportunidade de não participar, e se entrar e perder agente não sente tanto, uma vez que as perdas eram previstas, no mínimo agente não se sente vitima.

Bem isso vale para tudo, vale para vida afetiva e emocional, para vida profissional e para vida ministerial. Ai você pergunta: e a vida espiritual? Bem, essa agente não arrisca, afinal a nossa alma vale muito para ser apostada, ela deve ser confiada não mão de Deus, o lugar mais seguro do universo, contudo essa vida espiritual pode, e é diretamente influenciada pelas apostas que fizemos acima.

Mas vamos falar de igreja, que é o caso no momento, agente aposta, espera colher algo, por isso acorda cedo, gasta pouco e dorme tarde. Porque fazemos isso? Por que queremos colher ou ver a colheita. O problema irmã é que não conseguimos mensurar se vale a pena o que fazemos ou que vamos fazer, uma vez que sempre somos obrigados a ouvir aquela velha expressão piegas “é para Deus que fazemos”. Bem será isso verdade?

Olha essa expressão é muito bonita e parece piedosa, contudo ela não é inteiramente verdadeira. A verdade é que tudo o que fazemos é para a Gloria de Deus, mas não necessariamente para Deus, existe uma ligeira diferença em fazer algo para a Glória de Deus e fazer algo para Deus. O que é feito para Deus é entregue diretamente nas mãos dEle, o que é feito para a Glória de Deus passa pelas mãos de outros, alcança a outros, abençoa a outros, serve a outros, e promove a outros, em fim mira-se no irmão e ao acertar-se alegra-se o coração do Pai. Não podemos esquecer que fazer em nosso próprio favor também pode servir para Glória de Deus.

Ai você me pergunta; Quando é que entregamos algo na mão de Deus? Quando entregamos o nosso coração, quando entregamos nossa vida, quando entregamos nossa vontade, quando escolhemos o caminho estreito da santificação resolvemos não pecar, por exemplo.

Mas por que esse texto tão longo? É para dizer que talvez cada um de nós, e você no momento, tenham que fazer uma auditoria no coração e nas motivações. Isso vai ajudá-la a compreender o que está acontecendo com você e com o seu coração. Não promove cura instantânea, mas ajuda a mente a decifrar alguns sentimentos e pensar em que passos tomar no futuro.

Assim sendo fica mais fácil de aceitarmos algo que parece estranho aos nossos ouvidos, e esse algo é o seguinte:
Nos casamos, cantamos, amamos, nos dispomos, com o propósito não apenas de agradar a Deus, mas também a nós e aos que estão ao nosso lado. Quando no final desse processo nós somos esquecidos então acontece a tragédia, nos sentimos fraudados.

Mas como afinal de contas nós fizemos para Deus, não podemos nem mesmo reclamar, se reclamarmos então passamos a ficar em estado pior ainda, uma vez que passamos a ter dois problemas: 1) a frustração por não ter sido recompensados pela nossa dedicação, (o que é plenamente justo) 2) e o sentimento de culpa pela reclamação ou pela insatisfação, afinal nós “fizemos para Deus”.

Bem irmã isso tudo me parece uma armadilha que tem aprisionado as nossas vidas. O fato é o seguinte. Nós quando fazemos o que fazemos, inclusive na Igreja fazemos para abençoar os irmãos, para promover os fracos e humilhados, para abater os exaltados, promover quebrantamento nos orgulhosos, consolo junto aos cansados e desanimados e também, pasmem!! Para nos sentirmos aceitos e honrados por termos sido instrumento junto a nossa comunidade, logo necessitamos palavras ou atitude que afirmem a nossa valia e pertenciamento. Tudo isso quando alcançado promove a Glória de Deus.

E quando isso relatado acima não acontece? Nós nos sentimos mal e contrariados, e não adianta dizer que fizemos para Deus, não adianta dizer que era para Ele, isso não nós conforta tanto quanto as pessoas pensam. Só maquia uma ferida que ira nos acompanhar muito tempo alem de não promover o nosso bem estar.

Bem mas o que isso tem a ver com aposta? O que isso tem a ver com a sua vida? Minha cara! Eu escrevi tudo isso para dizer que você fez uma aposta, colocou na “mesa da vida” seu tempo, seu dinheiro, sua família, seu coração. Provavelmente fez isso de maneira inconsciente uma vez que colocou muita coisa e não considerou o risco que corria em não colher o que aspirava, a bênção integral do corpo, e o seu reconhecimento como pessoa e como ministro de Deus que é. Por isso você sente-se frustrada, é normal você é uma investidora que ganhou muito pouco na “bolsa dos relacionamentos”. (ganhou pouco para não dizer que perdeu). E é assim que deve se sentir e que deve se assumir. Você não tem razão e nem direito de se sentir e apresentar-se como vitima ou como uma pessoa que foi usada, isso só ira intensificar o seu desejo de isolamento e sua síndrome de Elias na caverna. Aconselho. Não se veja dessa forma, você não foi usada, você foi mal-informada. Você se informou mal, você apostou errado, não considerou os riscos, não colheu o que esperava, esta curtindo sua frustração, o que é direito seu, contudo não se veja como uma vitima, uma pessoa indefesa.

E por que eu falo isso? Por que vitimas e presas se escondem. Elas procuram casulos, cavernas, buracos, sombras e nesses lugares se escondem com o objetivo de se preservar. Acreditam que não dispõem de qualquer forma de auto-defesa. O que fazem? Ficam em casa, e deixam de relacionar-se ou de fazer o que antes faziam, na realidade estão na caverna esperando...
Bem! Esperando o que mesmo?

A morte.

Irmã você não é vitima, é alguém maior de idade, e perfeitamente capaz de fazer o que sempre fez até hoje, não perdeu nada que não possa recuperar, pelo contrario aprendeu com tudo isso o real significado das palavras de Cristo que dizem :

... o vosso falar seja sim, sim, não, não...

Você aprendeu a pensar em algo que os crentes tem dificuldades em conjecturar quando estão exercendo ministério. “A quem interessa essa tarefa ou esse empreendimento que estarei participando? Alem de Deus quem estará sendo beneficiado?”

E mais importante. Você poderá não somente pensar, mas verbalizar isso as pessoas, claro se acreditar nisso, e abandonar aquele pensamento piegas que diz “é para o SENHOR que fizemos”

Em suma você aprendeu que pode dizer:
“Não”

E o que vai legitimar o seu não?
Serão as suas motivações. Se elas forem legitimas, então o seu “não” será legitimo, se as suas motivações não forem legitimas o seu “não” não será legitimo.

E por que perguntar isso? Por que muitos de alma simples e espírito humilde te procurarão. E não é justo que esses pequeninos e inocentes discípulos de Jesus sejam punidos e privados da sua companhia e dons por causa da sua frustração, da sua aposta perdida. Isso por falta da auto-critica que deve sempre acompanhar a critica que fazemos aos outros.
Afinal auto-critica sem critica aos outros é embrião de culpa, e critica aos outros sem auto-critica é gerador de intolerância.

Bem querida fale com Deus, e peça a mão dele para sair da caverna, faça isso rápido, antes que a caverna vire um labirinto, pois se isso acontecer o processo se torna mais complicado e adoecido passível de ajuda profissional.

A carta tá longa. Tenho que acabar, teria muito a dizer, mas finalizo aqui, na espera que você não se prive de relacionamentos sustentados a luz dos Espírito Santo e pautados pelos Evangelhos.

Abração a você e a seu marido, a quem eu tenho certeza, é um instrumento de Deus na sua vida.

A Sandra minha esposa assina essa carta comigo.

Que o amor de Cristo, o único que ama sem interesse, seja contigo!!!!



PS: se você tem interesse em um aconselhamento, envie um email para saraiva1990dc@yahoo.com.br você será atendido, talvez o seu caso apareça nesse espaço, contudo seu nome, email, igreja ou lugar onde está não serão expostos nesse blog. É possível que o seu problema seja semelhante ao de muitos que estão por ai.

O "evangelho" que não é Evangelho.

Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma - Salmos 106.13-15.

Nos encontramos em atitude semelhante quando em algum momento, ignorando a graça, a providência e misericórdias do Senhor o Cristo em nosso dia-a-dia, queixamo-nos daquilo que ainda não possuímos, invertendo a ordem "sobre-natural" da criação: desejando que o Criador sirva a criatura, e não o inverso.
Em meio aos desejos e cobiças humanas, perdemos a nós mesmos, mas acreditamos ter encontrado "tudo". A alma se definha em troca do ouro e da prata.
Desejamos mais os bens proporcionados pelo exercício da fé do que propriamente o Doador de tais coisas, e murmuramos como crianças mimadas.
Vejo muita gente por aí gozando de "benefícios" requeridos por fé, exercendo dons e ministérios. Gente que tem muito de "cristianismo" e quase nada de Cristo.
O quanto você tem sido guiado pela Bíblia?
Nem tudo que reluz é ouro, já dizia o poeta...
Que tipo de Evangelho você está vivendo?
O que te motiva a servir Cristo?
E, considere, acima de tudo a questão: Que tipo de igreja você quer?

Abraço manos e minas
E lembrem-se: os lobos estão soltos, mas eu tô na captura!
Pr Airton Quinelo Junior
PS: Como voces puderam ver essa postagem não é minha é de um grande amigo. Entendo que mais e mais pessoas devam ter acesso ao que foi dito acima.

30 de jul. de 2009

A Igreja na humanidade

Não adianta negar! Se olharmos qualquer espécie de seres vivos, veremos que alguns agrupamentos sempre são capazes de se portar melhor, e assim se destacarem dos demais. Sempre é o possível verificar que alguns espécimes parecem obter o melhor do meio em que vivem e que por fim acabam chamando a atenção daqueles que pesquisam. Sempre se suspeitou que na raça humana algumas culturas foram bem mais capazes de se proliferar e de viver melhor em comunidade, isso responderia do porque de algumas civilizações ainda existirem e outras já terem sido extintas. Bem! Uma vez que essa espécie inteligente chamada de homo-sapiens é a única que tenha podido desenvolver arte, refletir sobre princípios e sobretudo desenvolver algum tipo de ética e de respeito mutuo, uma vez que apenas homens e mulheres são capazes disso, e que pode-se aferir que a manutenção de um agrupamento como esses só poderá vir a permanecer de forma estável se viverem valores que os preservem de qualquer auto-destruiçao.

Há muito tempo atras quando na Galileia um jovem se propôs a re-fundar a fé no seu Deus, a quem ele chamava de Pai, nesse momento ele também re-fundaria o conceito de comunidade. Uma vez que os valores desse jovem eram por demais elevados ficou muito claro nos discursos dele que os valores dos que iriam segui-lo também seriam elevados. A essa condição de compromisso com princípios relevantes tanto para o Deus único levaram ao seu representante a denominar essa comunidade como sendo sal do mundo, e luz do mundo.


Bem esse jovem todos já sabem de quem se trata. É Jesus. Já a comunidade que deveria ser aquela que viveria sendo o modelo para a espécie humana, a proposta de convivência, essa comunidade que por ele fora denominada de sal da terra e luz do mundo passou algumas décadas depois a ser conhecida como Igreja. Igreja é isso, é a expressão última do que se espera da raça humana. Quando se pensar em convívio harmônico e em relações saudáveis, quando se pensa em sociedade em que haja um amplo acolhimento dos seus. Quando se pensa nisso, e quando se procura isso na sociedade humana, se deve pensar e procurar a igreja. Ser sal da terra e luz do mundo é ser isso, é ser o agrupamento que apesar de toda a caoticidade é capaz de manter a espécie crescendo tanto numérica como em qualidade de vida. Isso é Igreja.
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